Apesar de começar a ter esta noção (sim, por vezes sou um bocadinho tardio...), percebo que não vou estar sempre aqui, as pessoas que gosto também vão partir um dia... que existem decisões que me cabem a mim e que têm consequências, não somos mais putos, em que há alguém que cuide de nós, que faça as compras do mês lá para casa ou nos meta o almoço na mesa. Não temos de nos preocupar com nada enquanto putos, pois alguém toma as decisões. Agora os papeis começam-se a inverter, crescemos e tomamos novas e mais responsabilidades, começamos a ter que ser nós a cuidar de quem cuidou de nós. É o que faz parte de tornar-se adulto. É nem sempre acertar nas decisões que se toma e acarretar com as consequências. É não esperar que o destino aconteça, porque de facto, somos nós que fazemos o nosso próprio destino. A vida não vem com manual de instruções e não andamos aqui numa novela com guião feito, em que sabemos o que vai acontecer a seguir, em que temos que seguir o nosso papel, papel esse que já alguém previamente traçou...
A vida é curta. Por vezes temos que correr riscos, para no final podermos dar ainda mais valor. Ou por vezes basta-nos aproveitar os escassos momentos de serenidade, como um dia de sol em Janeiro. Porque não sei como estará o dia amanhã, ou se eu cá estarei para o aproveitar.
(Foto de Luís Silva)







