Eis que o reflexo no espelho me mostrou hoje algo diferente, algo para além do piloto automático que é habitual visualizar na rotina diária. Por breves instantes pareceu-me ver alguém familiar, alguém com um brilho nos olhos e sorriso tímido, alguém que decerto desapontaste...
Ele. Não o via há tanto tempo, quase nem me lembrava da sua existência, parecia até arrancado de uma outra vida passada. Foi rápido e não disse uma palavra, mas aquele olhar foi suficiente e senti-me culpado. Por ter desapontado aquela criança simples de sorriso fácil, ele que sem grandes ambições e receios, encarava todos os dias uma espécie de desafio, foi crescendo e foi enfrentando uma espécie de ligeiro pesadelo. No entanto não desistia e todos os dias retornava ao seu caminho, para mais um dia. Hoje olho para trás e não acredito, não sei como conseguiu, hoje dificilmente me sujeitaria a tal...será que ele não sabia? Não teria noção? Ou simplesmente sabia que era aquele o seu destino e não havia como lhe escapar?
Hoje dificilmente me sujeitaria. Mas hoje sou diferente. Hoje sou 80 e antes talvez era 8. Hoje não dou segundas chances, quando desaprovo algo "corto" totalmente, prefiro destruir e construir novamente de raiz invés de reconstruir. Cansativamente no extremo oposto àquele miúdo sem preocupações, sem ambições e sem raiva.
Penso demasiado, é uma das causas de tantos problemas, tantas desilusões. Ainda as coisas não têm acontecido e já estou a pensar por antecipação. A pensar de maneira pessimista.
Mas o reflexo que hoje vi, mesmo sem uma única palavra...aquele olhar...tinha um objectivo: dizer que estou velho, estou a ficar mais velho a cada dia que passa. Desconfiado, pessimista e cada vez mais preocupado. Mas a vida não traz manual de instruções, a vida por vezes é para ser vista pela forma mais simples e despreocupada, não serve de nada estar sempre a pensar que há problemas ao virar de cada esquina, isso só faz preocupar por antecipação... Por vezes a vida entrega-nos problemas, mas não quer dizer que tenham que ser resolvidos prontamente. Certas vezes, a resposta só surge algum tempo depois.
E eu gostaria que aquele miúdo ainda aqui estivesse, com a sua maneira simples e despreocupada de ver a vida, consegue resolver muitas vezes os problemas que nós adultos tantas vezes complicamos.
domingo, 14 de setembro de 2014
quarta-feira, 26 de março de 2014
Eyes wide open
Por vezes sinto-me a "navegar" e acabo por agir sem pensar, sem sentir. E todas as acções têm consequências.
E tenho receio de estar a ser demasiado calculista e sem escrúpulos. Receio do mal que possa causar e nem ter noção disso, de criar armadilhas de olhos fechados...
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
"Não sei o que quero, mas sei o que não quero"
Críticas...sempre foi mais fácil falar mal do que elogiar. Sempre foi mais fácil fazer uma crítica destrutiva ao invés de uma construtiva. As pessoas falam sem pensar, criticam todos apenas por criticar, sem saberem razões ou justificações, apenas para "apontar o dedo" e assim se sentir superiores e melhores consigo mesmas.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Marketing Fail
Nunca falei aqui de futebol, no fundo sou apreciador, mas raramente o expresso pois regras e nomes de jogadores passam-me ao lado. Resumidamente gosto de futebol, mas pouco percebo e o que me prende a atenção é o jogo em si.
Mesmo assim, não vou falar agora de futebol, mas sim de algo relacionado: o grande mercado de marketing que está por detrás dessa máquina chamada futebol. Mais concretamente a publicidade "local" de uma marca global e o retorno do impacto causado.
Já se percebeu do que vou falar: a publicidade da Pepsi Suécia, antes do jogo Portugal x Suécia, onde tentaram uma abordagem mais "humor negro", visando principalmente Cristiano Ronaldo.
Falando já do CR7, conheço minimamente o seu percurso, sei de onde veio e o (pouco) que tinha. Para mim é um exemplo de força de vontade e bom jogador, não é à toa que está onde está hoje, e quer queiramos quer não, é um marco associado ao nosso país e dá a conhecer Portugal lá fora. De forma certa ou errada, isso já não sei.
Ora, um pacato tuga como eu, que pouco liga a futebol, tem esta opinião sobre CR7 e tendo noção que a nossa nação é no geral conectada ao futebol, seria uma questão de tempo até surgirem as indignações (principalmente através das redes sociais do costume e...blogs!) em resposta à mediática publicidade sueca:
Ao mesmo tempo que entendo a manobra da Pepsi sueca (má publicidade rende na mesma, pois o produto é falado, e neste caso seria "má publicidade em Portugal, boa publicidade na Suécia"), até que ponto se arrisca a ir? Possivelmente arrisca a perder boa fatia de vendas em PT, visto que os tugas adoram boicotes, exprimir-se e exaltar-se nas redes sociais (é fácil, gratuito e não têm que sair da cadeira. Ah e dá sempre aquele ar de culto e actual perante os amigos do face...).
Quem paga é a Pepsi Portugal, que vê "choverem" comentários no Facebook oficial (lá está...) e decidiu deixar um pedido de desculpas aos "lesados" (quando quem meteu a "pata na poça" com a pub foi a Pepsi Suécia):
Mesmo assim, não vou falar agora de futebol, mas sim de algo relacionado: o grande mercado de marketing que está por detrás dessa máquina chamada futebol. Mais concretamente a publicidade "local" de uma marca global e o retorno do impacto causado.
Já se percebeu do que vou falar: a publicidade da Pepsi Suécia, antes do jogo Portugal x Suécia, onde tentaram uma abordagem mais "humor negro", visando principalmente Cristiano Ronaldo.
Falando já do CR7, conheço minimamente o seu percurso, sei de onde veio e o (pouco) que tinha. Para mim é um exemplo de força de vontade e bom jogador, não é à toa que está onde está hoje, e quer queiramos quer não, é um marco associado ao nosso país e dá a conhecer Portugal lá fora. De forma certa ou errada, isso já não sei.
Ora, um pacato tuga como eu, que pouco liga a futebol, tem esta opinião sobre CR7 e tendo noção que a nossa nação é no geral conectada ao futebol, seria uma questão de tempo até surgirem as indignações (principalmente através das redes sociais do costume e...blogs!) em resposta à mediática publicidade sueca:
Ao mesmo tempo que entendo a manobra da Pepsi sueca (má publicidade rende na mesma, pois o produto é falado, e neste caso seria "má publicidade em Portugal, boa publicidade na Suécia"), até que ponto se arrisca a ir? Possivelmente arrisca a perder boa fatia de vendas em PT, visto que os tugas adoram boicotes, exprimir-se e exaltar-se nas redes sociais (é fácil, gratuito e não têm que sair da cadeira. Ah e dá sempre aquele ar de culto e actual perante os amigos do face...).
Quem paga é a Pepsi Portugal, que vê "choverem" comentários no Facebook oficial (lá está...) e decidiu deixar um pedido de desculpas aos "lesados" (quando quem meteu a "pata na poça" com a pub foi a Pepsi Suécia):
Não nos podemos esquecer também que é uma marca que está presente há anos em PT e que emprega portugueses. Mas cá para mim alguém, algures na Suécia, no departamento de Marketing, vai ser despedido...
Isto é o exemplo de que uma mensagem pode ter sucesso num lado (Suécia) e ao mesmo tempo pode fazer perder clientes noutro lado (Portugal).
P.s. Engraçado que ainda não vi ninguém no facebook falar do OE para 2014...
sábado, 27 de julho de 2013
"Everything in its right place"
Parece que finalmente deixei de lado os vícios que me faziam mal. Guardo apenas os saudáveis.
Smells like summer roadtrip...
Smells like summer roadtrip...
segunda-feira, 1 de julho de 2013
"Just like heaven"
A vida por vezes pode ser como o céu, umas vezes limpo, outras nublado. Não é uma linha estreita e direita, é antes um encadeado de curvas. Não há dias iguais, o amanhã pode ser totalmente diferente do dia de hoje. Não sei onde vou estar amanhã, como vou estar e a fazer o quê, posso estar a fazer o mesmo de hoje...ou até não. E é essa surpresa que o futuro nos traz, dia após dia, que nos faz viver, faz-nos levantar da cama de manhã.
E hoje...hoje não sei o que quero, para onde vou, o que tenho. Tudo me parece perdido e faz-me olhar para trás. Não quero estar aqui, os dias passam, envelheço e os anos não se dão conta de passar. Estou a ficar cada vez mais atrasado para o que quero, mas parece que tudo me prende, cada simples e insignificante pormenor é motivo para não avançar. Não posso ficar à espera que os astros se alinhem para finalmente avançar, não posso ficar à espera do momento certo, porque...simplesmente não existe momento certo. É tempo de romper com o que foi feito, arregaçar mangas e avançar para o que quero. O meu futuro está nas minhas mãos.
P.S. Um dia ainda vou perceber porque é que quando estou bêbedo, a minha audição fica (ainda) mais apurada...
E hoje...hoje não sei o que quero, para onde vou, o que tenho. Tudo me parece perdido e faz-me olhar para trás. Não quero estar aqui, os dias passam, envelheço e os anos não se dão conta de passar. Estou a ficar cada vez mais atrasado para o que quero, mas parece que tudo me prende, cada simples e insignificante pormenor é motivo para não avançar. Não posso ficar à espera que os astros se alinhem para finalmente avançar, não posso ficar à espera do momento certo, porque...simplesmente não existe momento certo. É tempo de romper com o que foi feito, arregaçar mangas e avançar para o que quero. O meu futuro está nas minhas mãos.
P.S. Um dia ainda vou perceber porque é que quando estou bêbedo, a minha audição fica (ainda) mais apurada...
terça-feira, 11 de junho de 2013
O maior erro de todos: A culpa dos erros do passado
Teria tido, em tempos, desejo de ter uma vida perfeita. Desejaria também uma vida perfeita àqueles de quem gosto. Mas a minha vida fez-me perceber que a perfeição não existe e tudo o que é próximo de perfeito, acaba por ser aborrecido.
Os erros existem para pensarmos neles, o tempo que for necessário, aprender com eles e arrumá-los, para sermos mais e melhores, mas também para nos afastarmos da perfeição (algo perfeito é também algo isento de erros).
Hoje sei que quero uma vida normal e que tenho tudo ao meu alcance para a ter.
Os erros existem para pensarmos neles, o tempo que for necessário, aprender com eles e arrumá-los, para sermos mais e melhores, mas também para nos afastarmos da perfeição (algo perfeito é também algo isento de erros).
Hoje sei que quero uma vida normal e que tenho tudo ao meu alcance para a ter.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Paixões Inexplicáveis II
Bem sei que este blog funciona mais como tasca do desabafo, mas nem só de pessimismo vive esta criatura. Vai daí, decidi escrever um post em honra da mais recente sucata francesa lá de casa. No início deste ano, tive mais uma "Paixão-de-uma-semana-só", isto quando a última foi antes do Natal 2012 (por um Golf V GTI - que ainda continua, umas vezes mais forte, outras mais esbatida).
Ora a "paixão" por este L'enfant terrible tornou-se estranhamente duradoura e dei por mim a recolher o máximo de informação acerca deste modelo, especificações, testemunhos, principais problemas a ter em consideração...até que, em Abril pensei: "Que se lixe! Só se é novo uma vez", decidi arriscar e passar para a compra.
Ora a "paixão" por este L'enfant terrible tornou-se estranhamente duradoura e dei por mim a recolher o máximo de informação acerca deste modelo, especificações, testemunhos, principais problemas a ter em consideração...até que, em Abril pensei: "Que se lixe! Só se é novo uma vez", decidi arriscar e passar para a compra.
É branco (côr que até então eu criticava nos automóveis) e tem várias coisas a rever, principalmente em termos de adereços de gosto duvidoso. De momento encontra-se numa oficina das redondezas, longe da luz solar e coberto de pó, a ultimar pormenores referentes à mecânica. O objectivo é deixá-lo como a foto acima, ou seja, original e a partir daí desfrutá-lo em pleno. Ainda para mais com uma estrada de serra tão boa a poucos quilómetros de casa.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
E porque merecemos sempre melhor, vamos lá a elevar a fasquia...
Nada é perfeito...ou pelo menos, nada é perfeito muito tempo. O tempo e a rotina começam a apoderar-se do que se criou, começa-se a mostrar a verdadeira essência, o desleixo, o sentimento de ter o outro como "garantido" diminuem as demonstrações e a atenção.
Mas qual é o receio?
Receio de se sair magoado novamente, de se entregar a algo que mude de repente, receio de se estar a perder tempo, a investir sentimentos, a fazer "figura de parvo".
Mas eu não quero ficar acomodado, não quero rotinas, quero que corra bem e sinto que consigo fazê-lo sem esforços ou "sacrifícios", quero demonstrar do que gosto e o quanto gosto, quero sair da zona de conforto e arriscar por vezes fazer algo inesperado ou diferente, não quero a normalidade e o aborrecido...pelo menos para já.
Mas qual é o problema?
Quando tudo parece correr tão bem, chego eu e numa espécie de "toque de Midas", transformo tudo em problemas. À mínima coisa, ao mínimo pormenor pode ser criado um problema. Sou assim, dou importância a gestos e palavras, a acções e aos pormenores. O que me faz pensar se o verdadeiro problema serei eu...
Mas qual é o receio?
Receio de se sair magoado novamente, de se entregar a algo que mude de repente, receio de se estar a perder tempo, a investir sentimentos, a fazer "figura de parvo".
Mas eu não quero ficar acomodado, não quero rotinas, quero que corra bem e sinto que consigo fazê-lo sem esforços ou "sacrifícios", quero demonstrar do que gosto e o quanto gosto, quero sair da zona de conforto e arriscar por vezes fazer algo inesperado ou diferente, não quero a normalidade e o aborrecido...pelo menos para já.
Mas qual é o problema?
Quando tudo parece correr tão bem, chego eu e numa espécie de "toque de Midas", transformo tudo em problemas. À mínima coisa, ao mínimo pormenor pode ser criado um problema. Sou assim, dou importância a gestos e palavras, a acções e aos pormenores. O que me faz pensar se o verdadeiro problema serei eu...
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Sozinho VS Estar só
Sempre fui solitário, sempre gostei de estar no meu canto a organizar ideias, ficar em silêncio ou apenas acompanhado de música. E isso nunca me incomodou, era assim que estava habituado a estar, independente e reservado. Era. Hoje sinto saudades, apesar de ao mesmo tempo recear tornar-me demasiado dependente de alguém, sinto que é diferente, noutros tempos em que tive outras relações, achava que sentia saudades, mas apenas sentia falta. Hoje são saudades, pela primeira vez.
sábado, 27 de abril de 2013
Saiu uma nova temporada de "Donas de Casa Desesperadas" e eu devo estar no papel principal, só pode...
Não sei o que se passa comigo, nunca estive assim, num ponto dramático-compulsivo-dependente. Tudo aquilo que sempre detestei, portanto. Não há razões para estar assim, as coisas já me foram explicadas mais que eu vez e eu compreendi e aceitei, mas por vezes o meu lado racional parece desligar, as saudades juntam-se à minha falta de confiança em mim mesmo e os meus receios infundamentados tomam conta do meu pensamento. Só quero ser mais racional e parar de fazer merdas, não tenho motivos para estar tão pouco confiante, estou preocupado e a preocupar-te, e tenho receio que estas minhas atitudes te afastem ou apaguem o que de bom já aconteceu até aqui.
Efeitos colaterais de uma adolescência tardia?
Foda-se, tenho mas é que acordar para a vida, aproveitar o que de bom há e deixar-me de dramas (coisa que acho insuportável, só por acaso). Dás-me todas as razões para confiar em ti, não te posso pedir mais. Nem preciso. Enterro hoje aqui a coroa de "Drama Queen", vou ser mais despreocupado e positivo, mais racional neste aspecto e compenetrado na ideia inicial: ver-te feliz.
(Sim, é o Brad Pitt, porque até ele deve ter os seus momentos "Dona-de-casa-desesperada/Drama-queen" - Foto de Mark Seliger)
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Ainda há momentos no dia que são originais
E é quando, a sair do trabalho uma hora depois do horário normal, depois de um dia monótono e pouco produtivo, o meu colega passa por mim com uma gadanha na mão e eu ainda tenho a decência de lhe perguntar: "Então, a morte foi de férias e ficaste a substituí-la?"
quarta-feira, 24 de abril de 2013
A wild video appears II
Não sou crente em assuntos como reencarnação (vetado logo pela data de nascimento da Carly vs. data de falecimento de Nina), mas se fosse, ia desconfiar desta miúda! Interpretação óptima de um tema famoso de Nina Simone e tão usado em covers. Admiro ainda a tranquilidade e maturidade aparentes numa miúda com 13 anos.
Confesso também, que até acho uma certa piada ao tipo de música, existe uma emoção e optimismo presentes que não transparece tanto noutros géneros musicais.
Fé na humanidade restabelecida.
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