sábado, 22 de maio de 2010

Intro

"Apetece-me desistir,
Mas aí vejo que não tenho nada para desistir.
Farto de mim,
Daquele que julgo ser eu, o reflexo que vejo no espelho,
Parece que a minha presença é indiferente,
Invísivel aos olhos dos outros.
Ando aqui a queimar tempo
Conto os dias, as horas que passam, à espera de não sei bem o quê.
Apenas me sento no banco da realidade, a ver a vida passar.
E o tempo não espera...
Ele que faz todos correrem atrás dele.
Mesmo num dia ensolarado, sou o único a viver na escuridão
Cruzo-me com várias pessoas na rua,
Eu sou o único que não sorri, o único que se faz acompanhar de ninguém,
Mas já não me apetece fingir um sorriso.
Procuro um caminho para seguir, preciso de novos objectivos, mas em vão...
Só estou a passar um mau bocado.
Sei que não posso ficar parado, mas já não tenho forças para mexer sequer um dedo,
Vejo a luz ao fundo do tunel e sei que estou perto,
Mas tenho receio de lá chegar...ou chegar lá sozinho.
Há coisas que são díficeis de explicar
Logo eu, a minha habitual dificuldade em exprimir-me,
Como se tivesse um filtro que retem a informação mais importante que quero dizer...
Acabo por falar, sem dizer o que pretendo.
Decerto todos me acham louco, até eu
Mas hoje consegui ordenar um pouco as ideias, refletir e expressar um pouco do que vai aqui dentro deste orgão a que ironicamente chamo “Caixa de Pandora”, e que os outros conhecem por coração.

Mas porque tem que ser assim?
Ser-me exigido gostar do óbvio
É errado apaixonar-me por quem os outros não esperavam?
Com isto quebrarei os objectivos de alguém?
Não tenho vontade de continuar a ser politicamente correcto
Mas é assim que sou, e tenho orgulho
Por não seguir tendências e ser fiel a mim mesmo
Enquanto isso, vou tentar arranjar forças para me levantar do banco da realidade
E fazer como todos os outros, correr atrás do tempo."

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