quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Fall in Love

Em português usamos "apaixonar" mas em inglês é um "fall in love" mais traduzido à letra. E soa bem. Até porque se formos ver bem, é uma queda que damos por estarmos cegos.
Aparece quando não queremos, não nos dá jeitinho nenhum, rouba-nos individualismo, tempo, espaço e a mente distrai-se de outros assuntos. Mas ao mesmo tempo sentimo-nos preenchidos, completos e "nas nuvens" por termos alguém que nos dá atenção, carinho, se preocupa connosco...ou somos iludidos assim. Ora eu também me sinto preenchido depois de um belo almoço, se for acompanhado com vinho, ainda melhor!

Não, não sou uma criatura desprezível e sem sentimentos. Apenas já caí e me magoei. "Mas é assim que tem que ser, é o reverso da medalha", "Acontece a todos, tens é medo de arriscar" ou "Não podes ficar preso ao que já passou" podiam ser as respostas de quem lesse isto, e estariam certos. Sim, é bom estar apaixonado. Quem nunca esteve? Nem que seja pelo seu carro, no dia em que o foi buscar ao stand, reluzente e limpinho, à espera de ser conduzido, ou naquele sábado à tarde, em que depois de ser lavado, merece uma volta calma numa marginal qualquer junto ao mar. Só que tal como uma pessoa, dá-nos preocupações, dores de cabeça, falha-nos quando precisamos e...quando se nota, já estamos à procura de um novo modelo, pois o nosso carro tornou-se uma causa perdida.

Mas assumo, já fiz algumas loucuras por estar apaixonado. E na altura fez todo o sentido e senti-me bem. O meu ponto de vista é o seguinte: É tudo óptimo quando começa, o pior é quando vêm as zangas, as fases más, os tempos... É muito mais calmo ficar solteiro, há tempo para tudo, para todos, para nós mesmos e somos menos impacientes, mais relaxados e podemos fazer o que nos der na cabeça, sem dar explicações.
É bom e faz-me bem. E também sei que é bom ter uma relação. A quem tem uma relação sinceramente estável e feliz, os meus parabéns. E a quem percebeu que acabou e foi capaz de falar directamente, evitando um desgaste ainda maior e evitar enganar a outra pessoa, a minha admiração.

É o amor, pode durar, pode ser curto, pode ser bom ou pode nem sequer dar naquele momento e ser preciso passar algum tempo para que funcione. Exige tempo e esforço de ambas as partes. Mas essas "partes" são pessoas, seres individuais, complexos e com carácter que já existiam antes da relação e por vezes nem todos se lembram ou aceitam isso.

Daí nunca ter entendido muito bem aquelas relações com pessoas totalmente dependentes da outra, que não são capazes de fazer nada sem a sua cara-metade. Isso assusta-me até! Um dia que algo corra mal e a relação acabe, esse tipo de pessoas sofre um desgosto enorme...e para quê? Entendo que se goste muito de alguém, mas não há nada como sermos nós próprios, fiéis aos nossos valores e princípios. Só assim algo pode funcionar. E se falhar, bem, existe vida para além do amor.



E quem diria que eu escreveria este post a ouvir Lana Del Rey?

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