sexta-feira, 15 de março de 2013

Afinal, ainda há amor

Num dia destes, atendi um casal nos seus 70 anos, sempre simpáticos e de braço dado. Ele estava preocupado que a sua viatura não tivesse sido abatida, quando na verdade já tinha levado o certificado de abate. Eu pacientemente expliquei que não havia razão para dúvidas, tranquilizei-os e ainda imprimi a confirmação do IMTT em como a matrícula estava cancelada...mas o que me leva a escrever sobre este assunto é o facto de ter ficado admirado e ao mesmo tempo com inveja: notava-se companheirismo, respeito e amizade neste casal. Não importa o passar dos anos, as rugas e as doenças, eles estavam juntos e parecia ser tudo o que lhes importava.

Dão significado ao chavão "juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe". E isso deixou-me a pensar nas relações que até hoje tive, sempre terminaram de uma forma ou outra e eu não percebia o porquê, quando eu sempre me tinha esforçado para que desse certo. Percebi então que talvez não fossem as pessoas ou o momento certo, mas acima de tudo que talvez eu precisasse ainda de mudar certos aspectos em mim. E a verdade é que me senti mudado a cada fim de relação e é isso que hoje me torna mais eu, mais racional e menos levado pelas emoções, mais calmo e grato pelo que tenho.

Numa próxima relação irei ter receio de me atirar de cabeça, com receio de voltar a magoar-me, mas talvez tenha que ser assim, para ser ponderado e levar as coisas com o seu tempo.

E tenho quase a certeza que se perguntassem ao casal qual o segredo para se manterem juntos tanto tempo, a resposta seria algo do género: "Nós nascemos numa época em que quando uma coisa se quebrava, nós consertávamos".



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